Meu marido e eu tínhamos reservado um quarto para nossas férias, esperando uma estadia simples e relaxante. Do lado de fora, o hotel parecia agradável: linhas limpas, janelas panorâmicas modernas, um lobby tranquilo com aroma cítrico e lençóis frescos. Era o tipo de lugar que você escolhe porque se sente seguro, tranquilo e facilmente esquece dele, da melhor maneira possível.
Essa ilusão durou menos de uma hora.
Chegamos no final da tarde. O sol já começava a se pôr atrás dos prédios, projetando longas sombras no corredor enquanto caminhávamos até o nosso quarto. Lembro-me de pensar em como eu estava cansada, no prazer que sentiria ao largar a bagagem, tirar os sapatos e simplesmente existir por um instante, sem pensar em nada.
Abrimos a porta, entramos e o quarto nos recebeu com uma neutralidade educada: paredes bege, uma cama arrumada, cortinas entreabertas deixando entrar uma fina fresta de luz dourada. Tudo parecia normal. Quase normal demais.